30/10/2015

Diário de Bordo Monte Roraima 1º dia

Diário de Bordo

 EXPEDIÇÃO MONTE RORAIMA – Brasil/Venezuela – 09 a 19/10/15
(Roroi = verde-azulado / Ima = grande / Gigante verde azulado)
 Participantes:
3 – Tita, Márcia e Daniela Colevati
1 – Roberto (Bob)
1 – Helio (02)
1 – Diego (Feio)
1 – José Antonio (Zé)
1 – André
1 – Arno
1 – Carlos
1 – Camila
2 – Cris e Isa

Guias (3)
Fátima
Tensing
Gustavo

 Carregadores (22)
Maria, Mariana, Luiz, Kiavic ...

1º dia - Sexta feira 09/10/15 – Sampa/SP x Boa Vista/RR

 Nosso voo saiu de Congonhas às 7:30 horas com escala em Brasília, (que horrível passar por esta cidade, só de ficar no aeroporto dá nojo). No saguão dos aeroportos ficávamos de olho nos passageiros que tinham mochilas e roupas típicas de alpinistas rsrsrs e pensávamos, vão todos pro Monte.
Chegamos à Boa Vista às 12:30 h, 13:30 h horário de Brasília, esses fusos horário bagunçam toda nossa vida. Boa Vista é linda, plana, limpa, organizada, vemos pouca gente nas ruas, o calor é de quebrar coco rsrsrs quente e abafado, lembra Porto Velho.
Hospedamos-nos no hotel Aipana e resolvemos almoçar por lá enquanto esperávamos Bob e Helio. Eles haviam chegado na quinta e sexta de madruga e aproveitaram a manhã de sexta pra conhecer a Guiana (pegaram uma van e foram dar uns bordejos por Lethem- Guiana. Disseram que lembra uma cidade do velho oeste, ruas de terra, cabritas pelas ruas e algumas lojas com muambas da China. Além dos carros com mão inglesa.
Bob e Helio chegaram debaixo de chuva. No hotel, disseram-nos que havia tempo que não chovia, lembramos da “uruca” do Helio e achamos normal chover rsrsrs. Helio estava faminto, então Bob disse para irmos conhecer o Bar do Babazinho que fica às margens do Rio Branco onde tem praia, passeio de barco, cervas e boa comida. Topamos na hora e seguimos para lá. O bar fica uns 5 km a pé do hotel rsrsrs, sol quente e nós caminhando, treinando para a grande roubada rsrsrsr.
Chegamos ao bar e para desespero do Helio só havia um potinho de paçoca pra comer (paçoca é carne de sol socada no pilão com farinha), nada de salgado, peixe ou qq outra coisa rsrsrs. Helio devorou a paçoca com baré para não ficar entalado rsrsrs. Pegamos um isopor com cervas e atravessamos o rio num barco para aproveitar a praia e esperar o por do sol que estava previsto para às 17:50 h.
Resolvemos fazer o passeio de barco pelo rio e apreciar o por do sol de um naufrágio. Não podíamos ter final de dia mais lindo, céu avermelhado, brisa quente, navegando em águas doces, cervas, amigos e uma baita expedição a caminho. Voltamos pro hotel, banho e jantamos a beira da piscina enquanto Bob e Helio foram jantar num suginho pra comer um matrinxã (peixe típico da bacia amazônica).
MONTE RORAIMA 1 - 09/10/15

Diário de Bordo Monte Roraima 2º dia

2º dia - Sábado 10/10/15 – Boa Vista/RR x Santa Elena de Uairén/Venezuela

 Acordamos cedo e fomos ao café, teríamos briefing às 09:00 h. Diego chegou na madruga de sábado e conseguimos reunir os seis malucos que toparam a empreitada. No saguão do hotel um turista (Arno) nos avisou que o briefing havia mudado para o Eco Hotel. Dani achou estranho não termos sido avisados e entrou em contato com a Roraima Adventures (agência de turismo) que nos disse pra pegarmos um taxi e seguir para o outro hotel. Ficamos bravos, pois havíamos reservado o Aipana justamente por causa do briefing.
Não nos avisaram com antecedência e ainda tínhamos que nos virar com taxi para ir a outro hotel. Azedamos e já ficamos preocupados com a organização, se o começo é assim imaginem o restante!!!
Enquanto esperávamos Diego e Helio se aprontarem, a Roraima resolveu mandar uma van para nos pegar. Outros turistas também nos acompanharam e seguimos para o briefing.
No briefing ficamos conhecendo Magno, diretor da Roraima Adventures que explanou toda a viagem com dicas e infos para termos o melhor trecking possível. Conhecemos os outros integrantes de nosso grupo, Arno, Cristine, Isabella, Camila, Carlos, Zé Antonio e André. Nós 6 mais os 7 formamos um grupo de 13 malucos, alguns com alguma experiência em caminhadas, mas nenhum expert no assunto o que deixou o grupo todo tranquilo, pois não teríamos “estrelinhas”rsrsrsrs
Saímos do briefing às 12:00 h e fomos direto ao super mercado e farmácia pegar as últimas tralhas. Almoço no hotel e às 14:00 h duas vans vieram nos pegar, uma para as bagagens e outra pros malas, nós rsrsrsrs.
De Boa Vista a Santa Elena de Uairén tem em média 250 km e a estrada é boa. Na última cidade do Brasil, Pacaraima, paramos num posto pra fechar o cambio, R$ 1,00 = BL 150,00 bolivares. Aff não conseguíamos fazer conta. Trocamos R$ 300,00 (para despesas com jantar e almoço e mais algo caso quiséssemos) e mais R$ 235,00 para pagar nosso carregador (35.000,00 bolívares). Tita pegou um pacote de notas que dava uns vinte centímetros de altura kkkk, isso em notas de 100 e 50. Todos os colegas brincavam, pois não tinham como guardar o dindin no bolso, foi hilário ver a galera com pacotes imensos de dinheiro, ninguém sabia onde e como guardar rsrsrs.
Seguimos para a fronteira. A aduana super tranquila (Pacaraima x Santa Elena de Uairén) e às 17:00 h chegamos ao hotel Anaconda.
Deixamos as malas no hotel e seguimos para um free shopping de bebidas, queríamos  comprar cervejas e vinhos (indicação da guia). Preços realmente bons, pegamos vinhos, whisky, run, mas não tinham cerveja. A loja fica perto do hotel, fomos e voltamos andando. Ao passar em frente uma porteira, um bicho (acho que era uma cabra ou bode) que estava no quintal, veio bufando e querendo nos atacar, saímos correndo. Ao chegar ao hotel ficamos sabendo que os colegas que vieram na frente também tiveram que fugir do bode, mas este atacou o Helio (lembram da uruca? Rsrsr) que lhe deu um chute e o afastou, mas seu pé ficou mt dolorido, o que nos deixou preocupados.
Primeiro jantar em grupo, muita conversa, risadas e nos recolhemos cedo, mas não sem antes brindar o primeiro dia de nossa expedition.

(Santa Elena de Uairén é uma cidade venezuelana, capital do município de Gran Sabana. Fica a 15 km da fronteira com o município brasileiro de Pacaraima, no estado de Roraima. Moeda Bolivar)
MONTE RORAIMA - 2 - 10/10/15

Diário de Bordo Monte Roraima 3º dia

3º dia – domingo 11/10/15 – Santa Elena de Uairén/Venezuela x Paratepui/Rio Tek

Acordamos cedo e não tínhamos relógio, o celular ficou no outro quarto com a Dani e Tita resolveu ir à recepção pra saber as horas. Ele voltou rapidinho dizendo ter uma cobrinha no corredor, fui com ele e fotografamos uma pequenina cobra, escura com umas listras vermelhas, que estava tentando sair dali. Chamamos o recepcionista para retira-la E NÃO MATA-LA rsrsrs. Ele a recolheu numa pá e fiz o Tita escolta-la até o rapaz a soltar para termos certeza que não iria mata-la rsrsrs.
Após o café, 3 Toyotas Land Cruiser vieram ao hotel nos buscar, bagagem no teto e nós no conforto dentro. Que carro confortável. Paramos no centro de Santa Elena para as últimas compras e seguimos. Na cidade,  observamos imensas filas para abastecer e soubemos que a gasolina para venezuelanos custa 0,07 cents o litro e para brasileiros 0,60 cents, tava explicado as filas quilométricas.  Há pessoas que vivem do trabalho de guardar lugar na fila de abastecimento (talibãs). Com esse preço de combustível a cidade tem filas quilométricas em ambos os lados de suas ruas.
De Santa Elena a Paraitepui são 78 km dos quais 26 são de terra, com o tempo seco, o poeirão cobre as viaturas. Os campos e montanhas da Gran Sabana se abrem a nossa frente e entramos no Parque Nacional Canaima.
(Parque Nacional Canaima é um parque nacional situado no Estado Bolívar, Venezuela. Foi lançado em 12 de junho de 1962 e declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1994. Estende-se por mais de 30.000 quilômetros quadrados para a fronteira com a Guiana e o Brasil. Por seu tamanho é considerado o sexto maior parque nacional do mundo. Cerca de 65 % do parque é ocupada por montanhas rochosas chamadas tepuis. Estes são um meio biológico único, mostrando também um grande interesse geológico. Seus penhascos íngremes e cachoeiras (incluindo Angel Falls, que é a maior queda de água do mundo, 1.002 m) são um cenário espetacular).

Durante o trajeto, nossa guia Fátima nos mostrou o mirante Jurassic Park, onde Steven Spielberg filmou algumas cenas do longa.
Saímos de Santa Elena às 8:30 h e às 10:25 h chegamos à Paraitepui (Paraitepui significa aos pés da montanha). Enquanto arrumamos as mochilas e assinamos o livro de entrada no parque vimos dois alpinistas chegando de volta da montanha, ambos acabados, se arrastando, um deles descalço carregando os sapatos. Pensei: - O que estou fazendo aqui? Kkkkkkkkkkkkkk
Eu, Tita e Dani contratamos um carregador, resolvemos aliviar nossa bagagem e de quebra ajudar um índio que tira dali seu sustento. Bob, Helio e Carlos dividiram um, Arno um e Cris e Isa outro. Quase morremos de remorso quando vimos que uma mulher iria levar nossa carga. Triste, mas se não a contratássemos seria muito mais triste para ela.
Tudo pronto, mochilas nas costas, sol, boné, água, partimos. Devagar, em fila, brincando, falando e boquiabertos pelo lindo visual.
Esta primeira perna teria 8 km, de Paraitepuy ao Rio Tek, mas nosso amigo Arno marcou em seu GPS 12 km.
Nesse primeiro trecho senti um pouco a falta de treino. Sol, algumas subidas, ajustes na bagagem e de novo a pergunta (- O que to fazendo aqui? Kkkk).
Durante o percurso pegamos chuva e já inauguramos as capas de chuva. Fizemos um lanche à beira de um riacho e seguimos.
Demoramos 4:30 h e chegamos às 16:00 horas no camping Rio Tek. Fomos direto tomar banho nas águas geladas do rio brigando com os puri-puris (mosquitos minúsculos que não respeitam repelentes rsrsrs semelhante ao nosso pólvora).
Após o banho, a galera ficou papeando pelo acampamento onde as barracas já estavam montadas e os guias na cozinha começando a preparar nosso jantar. Preferi ficar protegida na barraca até passar o ataque dos puri-puris rsrsrs
Às 19:00 h o jantar foi servido. Arroz, salada de repolho e costelas de tambaqui. A Dani, que não é fã de peixe, provou e achou que era carne de frango só depois descobriu que era tambaqui. Jantar `a luz de lanternas rsrsrsrs, suco e de sobremesa goiabada. Dia maravilhoso, cansativo, finalizado com delicioso jantar.
O Helio continuava com o pé doendo, agora um pouco roxo. Começou tomar anti-inflamatório e usar pomada também. Dizia estar bem, mas ficamos de olho para caso necessitasse de algo.

Às 20:00 horas só se escutava o ronco vindo das barracas, principalmente da barraca do Helio e do Bob kkkkkkk
MONTE RORAIMA 3 - 11-10-15

Diário de Bordo Monte Roraima 4º dia

4º dia – segunda 12/10/15 – Rio Tek x Base

Acordamos cedo, café às 6:30 h e saímos às 7:00 h.
Café da manhã melhor que do hotel Anaconda, café, leite, aveia, sucrilhos, tapioca, pão de forma torrado, ovos mexidos, queijo e mortadela ralados e melão.
Ah temos um belo banheiro, somente para o número 2, uma barraca com um banquinho e um assento de privada adaptado, coloca-se um saco plástico no banco, usa, coloca cal, tira, amarra bem fechado e deixa do lado de fora da barraca. Tem se um carregador de merda para a trilha inteira rsrsrsrs
Começamos a caminhar às 07:00 h. O dia seria puxado, 12 km pela frente em trecho de subida constante sem sombras.
Poucos metros após iniciarmos nossa caminhada chegamos ao primeiro obstáculo, atravessar o Rio Tek, onde havíamos tomado banho no dia anterior. Eu e Tita passamos e na vez da Dani, tchibum, escorregou e caiu apoiando o peso no braço, que medo!!!! Mas apenas torceu e ficou dolorido, resolvemos seguir. Em seguida à Dani, o guia Gustavo também deu tchibum molhando-se todo rsrs.
Nessa região há uma linda igreja no alto de um morro (durante toda viagem virou ponto de referência) e logo em seguida o rio Kukenam, rio largo todo em pedras, raso quando não há chuva rsrsrsrs. Precisamos tirar as botas para atravessa-lo, os guias levaram nossas mochilas e nos amparam, pois as pedras eram muito escorregadias.Todos atravessaram e tivemos um tempo livre para um mergulho refrescante no rio.
O trecho seguinte foi muito cansativo, esgotante. Não há sombras, e estamos sempre subindo. Para nossa sorte o tempo ficou meio nublado boa parte da caminhada. A vegetação é capim seco, começam a aparecer algumas flores coloridas e pequenas orquídeas, dessas que temos nas areias do litoral de Sampa.
O Monte Roraima é nossa inspiração, a cada passo o gigante se aproxima. Ao seu lado, há o Tepui Kukenam sempre com uma nuvem escura sobre si. Os nativos contam que Roraima é o tepui bom e o Kukenam o mal.

(Kukenán é uma montanha sagrada, nela vivem os espíritos dos guerreiros pemones que não devem ser molestados. Há  histórias sobre lutas seculares pela posse da terra, travadas entre os índios macuxis e pemones. Quando um guerreiro pemon era derrotado, jogava-se do alto do tepui Mutawi-Kukenan. Na língua indígena, “matawi significa “quero morrer”ou lugar de suicídio. Os espíritos desses guerreiros são chamados pelos pemones de canaimas – entidades temidas até hoje. Qdo alguma morte inexplicável acontece, os índios atribuem aos desígnios do canaima. O misticismo está entranhado nos pemones).

Durante a caminhada fazemos várias paradas para descansar, tomar água e respirar rsrsrs. Numa das paradas encontrei o Carlos sentado numa pedra, desconsolado rsrsrsrs. Eu estava exausta, mas ao ver o Carlos me animei, afinal não estava sozinha nesta canoa  furada rsrsrsr. Camila também teve dificuldades neste dia, os puri-puris a atacaram e seus braços e pernas estavam roxos e inchados de tantas picadas. Até seu lábio foi atacado, brincamos que estava parecendo a Angelina Jolie rsrsrsrs.
Estava ficando com medo, pois o terceiro dia de caminhada seria a subida do Monte, mas ouvi a Fátima comentando que o segundo dia era o pior e já estávamos quase acabando. Isso me deu ânimo para continuar.
Dani ainda com dor no braço ia ao seu tempo sem forçar muito. Helio ainda com o pé roxo e dolorido, hora ia à frente acelerado, hora nos acompanhava na  turma do fundão rsrsrs. Arno acabara de fazer uma cirurgia para retirar pedras do rim, estava com uma sonda interna e tomando buscopam para evitar/acalmar as cólicas, mas já estava a tempo treinando longas caminhadas carregando peso, nos deixou no chinelo em resistência e velocidade rsrsrsos, acompanharam Arno no pelotão de frente, Bob, André, Zé, Diego, Cris e Isa, todos muito bons caminhantes. Eu, Tita e Dani estávamos sempre na lanterna, no nosso tempo, mas sempre em frente rsrsrs.
Chegamos ao acampamento base quase 14:00 h, moídos, exaustos. Fomos direto para o banho num riozinho e foi quase impossível. A água que descia da montanha era congelante, pareciam agulhas fincando em nossas pernas, lavamos somente as partes necessárias kkkkkk
Mal terminamos o almoço e começou uma baita chuva, corremos para as barracas e esperamos a chuva passar.
Ao observar o local e o tempo fechando, Tita escolheu um lugar alto e pediu para montar nossas barracas neste espaço (que era reservado à guia Fátima que gentilmente nos cedeu rsrsrs). Durante a chuva, as barracas que foram montadas nos lugares baixos inundaram molhando algumas coisas, ai começou a zoação de que morávamos em Alphaville por termos escolhido o melhor lugar rsrsrsrs.
Estávamos acampados aos pés do Monte Roraima. A chuva foi tão intensa que ao olharmos para cima, várias cachoeiras escorriam em seus imponentes paredões. Uma visão maravilhosa.
Durante a chuva tiramos uma soneca e logo após nos foi servido um belo café quentinho e chá com biscoitos. Tensing aproveitou para nos dar infos sobre o local e caminhada do dia seguinte, dicas e orientações preciosas.
A noite caiu rapidinho e uma maravilhosa sopa com torradas nos foi servida.
12/10 dia das crianças e quando olho um pequeno de +- 12 anos está no nosso grupo, ( Em Paraitepui sobrou uma carga e Fátima solicitou mais um carregador, o pai do menino diz que ele levaria, Fátima disse que não, ele era uma criança, o menino diz que quer ir e que precisa. Fazer o quê? Dar menos carga a ele. No local é normal crianças a partir dos 12 anos começarem a subir o monte).

A noite foi pequena pra tanto cansaço rsrsrs, nem dormi e o dia amanheceu rsrsrs
MONTE RORAIMA 4 - 12-10-15

Diário de Bordo Monte Roraima 5º dia

5º dia – terça 13/10/15 – Base x topo Hotel Guácharo


Café às 6:30hs saída às 07:00hs.
Menu? nhami nhami, café, leite, mingau de aveia, sucrilhos, arepa recheada de queijo e melão, que de li cia!!!!!
Do acampamento vemos ao longe, no meio da mata que sobe a montanha, trechos onde escorre a água da chuva e formam algumas erosões. Descobri que é por esses paredões erodidos que iríamos começar a subir para o Monte, aijesuis, deu até frio na barriga rsrsrsrs
Todos a postos iniciamos o terceiro dia, mochilas nas costas, bastão nas mãos, água no cantil, muito protetor solar e muito repelente, o dia prometia.
Trilha na mata, passamos um riacho e começamos a escalar a montanha, subindo literalmente pelos barrancos rsrsrs
Na mata, o clima é mais fresco, mas a subida judia bastante. Sobe, cansa, para pra descansar, rsrsr e assim vai. Chegamos num mirante e avistamos a igrejinha lá longe, que orgulho saber que andamos tudo aquilo e estamos ali realizando mais um sonho. Aliás, sonho de muitos, mas que poucos conseguem realizar.
Subimos mais um pouco, pegamos água fresca numa mina (tínhamos água durante todo percurso, quando é água de rio clorávamos antes de tomar, quando tirada de mina podíamos beber direto). No nosso grupo não tivemos problemas com água descansamos e seguimos.
Esta trilha de subida chama-se Rampa, 5 km para vencer 1000 metros, um trecho subindo pelos barrancos, um trecho de subida pela mata, um trecho descendo pedras e logo em seguida subindo pedras soltas passando por baixo da cachoeira das lagrimas. As pedras formam enormes degraus e sem descanso, sobe, sobe, sobe.
De um lado, o grande paredão de pedra do Monte e do outro, descendo o grande paredão de pedra do Monte, melhor não olhar pros lados e se concentrar na subida rsrsrs.
(Durante a subida vamos cruzando com carregadores que vão e que vem, um desses que vem era a criança de nosso acampamento. Os carregadores levantaram cedo, levaram a carga até o camping e já estavam voltando enquanto nem tínhamos alcançado o topo ainda).
Aos poucos vamos vencendo o perrengue e às 12:30h conquistamos o topo do grande Tepui Roraima, nem acredito e me deito pra poder respirar e agradecer por mais esta etapa concluída!!!!
Uma pequena pausa para comemorações e já nos preparamos para partir.Tínhamos que andar por mais 1,5 km ate chegar em nosso hotel o Guácharo rsrsrs.
No topo há 09 acampamentos que são chamados de: Principal | Uno | Índio | Basílio | S. Francisco | Guácharo | Jacuzzi |Sucre |Coati
Os acampamentos são, na verdade cavernas formadas por rochas salientes, usadas como locais de camping.
Durante os dias caminhando sempre perguntávamos à guia Fátima qual distancia faltava pra chegar e ela sempre dizia, faltam uns 40 minutos de caminhada.
Incrível que sempre faltava 40 minutos e ao chegar ao topo adivinhem quanto tempo pra chegar ao camping???? Kkkkkkkkkkkkkkk

(Quando vemos o gigante ao longe formando uma grande mesa imaginamos que é uma bela planície. Enganamo-nos o topo é bastante irregular, com variações de alturas de mais de 300 m, muita pedra com formações que sua imaginação conseguir formar, muita lama e muita água .O microclima específico do topo faz com que haja espécies endêmicas de fauna e flora: a vegetação compreende musgos, orquídeas, bromélias, plantas-carnívoras e pequenas árvores, e a fauna – que apresenta pouca variedade – é composta basicamente por aves, insetos, lagartos e pequenos anfíbios).

Chegando ao Guácharo, nosso camping dentro da caverna, as barracas já estavam montadas e a cozinha em pleno vapor preparando nosso almoço.
Alguns colegas corajosos enfrentaram as águas geladas de um lago próximo para um banho, outros foram até o mirante apreciar a bela paisagem, eu me recolhi na barraca e tomei banho de gato usando lencinhos higiênicos rsrsrsrs
Logo fomos chamados para devorar uma bela macarronada ao molho bolonhesa, divinaaaaa.
Comentamos que achávamos que iríamos emagrecer na viagem e na verdade estávamos engordando com tanta comida boa e farta rsrsrs
O tempo varia bastante no topo, numa hora tudo aberto e lindo, menos de um minuto fecha tudo em neblina, noutro começa a garoar. Minha barraca e a da Dani ficou em um lado separado da dos outros. Novas brincadeiras, estávamos em Campos do Jordão, lado bem mais frio da caverna kkkkk
Aproveitei a tarde e tirei um cochilo, logo nos chamaram pra um café e em seguida uma sopa de legumes quentinha no jantar.
Essa noite mereceu um brinde com vinho. Eu e o Tita combinamos de levar vinho em garrafa pet para não ter risco de quebrar. Nossa carregadora andou estes três dias com peso de 2 litros e agora todos mereciam um brinde. Arno também é precavido rsrsrs e levou duas garrafinhas de água com vinho branco e outra com tinto. Foi o suficiente para todos nós levantarmos a caneca.
Dormimos como anjos rsrsrs, ou quase, a noite ventou tanto que meu saco de dormir não deu conta, acordei tremendo de frio e tive que me cobrir com a jaqueta. Dani também teve que pegar a jaqueta do Diego emprestada para conseguir terminar a noite.

Dormimos cedo, acordamos cedo, às 5:00 h da manhã o povo já estava zanzando pelo acampamento rsrsrsr


MONTE RORAIMA 5 - 13-10-15

Diário de Bordo Monte Roraima 6º dia

6º dia – quarta 14/10/15 –  topo Hotel Guácharo – passeios

Ponto Tríplice
- Marco da tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana (inglesa). Infelizmente, por disputas de territórios, a face da pirâmide correspondente à Guiana está depredada.
Vale dos cristais
- É um vale cheio de cristais pequenos espalhados pelo caminho e algumas pedras maiores. Sim, é muito bonito, e não, você não pode levar um cristal de souvenir para casa. O que é da montanha deve ficar na montanha.
El foso
- Um lago situado em um fosso largo e profundo. Dá pra descer contornando a montanha e passando por fendas e abismos. A água é convidativa para pinguins rsrsrs, parecem facas entrando na carne de tão gelada rsrsrs, não eu não desci, fiquei com Bob e Fátima no topo pra fotografar os malucos lá embaixo rsrsrsrs

Dia 14/10 dia do aniver do meu filhote Eduardo, passei o dia com pensamento nele e desejando que ele estivesse ali com a gente.
Café da manhã às 6:30 h com saída às 07:00 h
Ah esses guias nos surpreendem, adivinha o que tinha no café? Pão quentinho feito na hora, ai minhas calorias rsrsrsrsrs
“Comidos” e felizes saímos para a caminhada, o assunto do dia eram os roncos na barraca do Bob e Helio. Disseram que espantaram até os morcegos rsrsrsrs (Não há morcegos no local).
Caminhada de 12 km pra ir e 12 km pra voltar, levar mochila de ataque com água, beliscos, capa de chuva, boné, repelente, protetor solar, muuuuito protetor e roupa/toalha pra banho e de frio (nunca se sabe como ficará o clima).
Com o terreno irregular, subimos e descemos pedras o tempo todo. Lindos jardins onde qualquer paisagista ficaria enlouquecido. 
Pedras contornando todo o percurso cada uma com um formato imitando algo, a imaginação vai a mil.
Tensing nos contou que as plantas sobrevivem, pois há uma bactéria que forma um lodo nas pedras, a chuva cai e leva este lodo para as depressões das pedras no chão, o lodo vai se acumulando com água da chuva e as sementes que vem com o vento param neste local e formam novas vidas e o ciclo se reproduz o tempo todo.
Muita flor, muita cor, muita beleza. Rachaduras no chão de pedra fazem brotar pequeninas flores delicadas.
Pena que temos que andar muito e não dá tempo de apreciar tudo com calma, vamos passando, vendo, fotografando e registrando para mais tarde ver com calma e contar rsrsrs.
Paramos num lago congelante rsrsrsrs, alguns colegas corajosos enfrentaram, outros fizeram pausa pra um lanchinho e eu aproveitei pra lagartear rsrsrs.
Saindo do lago, encontramos uma trilha forrada por cristais, lindo de ver, viver e sentir, pedras lindas, ficamos um bom tempo babando, recolhendo, olhando e fotografando, maravilhoso!!!
Seguimos e começamos um longo trecho em subida, escalando pedras enormes até chegar ao topo da Tríplice Fronteira. Um marco no topo da montanha nos dá a sensação de dever cumprido, batemos a meta!!!! Ahahahaha
Depois de muitos cliques continuamos a trilha até chegar ao El foso. Nosso almoço já tinha chegado e estava quentinho. Inacreditável, em meio ao nada, um belo prato de arroz, salpicão de franco, paçoca e banana frita nos aguardando. Batemos o rango e como disse anteriormente a galera desceu ao fosso e eu fiquei com Bob e Fátima só curtindo a montanha.
Quando a galera voltou, juntamos as traias e voltamos ao acampamento curtindo  todo o trajeto de volta, que foi mais rápido e por outras bandas, esses guias são fantásticos.
Pra variar chegamos moídos ao acampamento às 17:00 h. Eu parei com Tita pra um banho no lago gelado perto do camping, eles se banharam no El foso e eu estava precisando de água afinal o dia anterior já tinha sido banho de gato com lencinho hehehehehe.

Banho delicioso, no camping chá quente, soninho na barraca e jantar à noite, pena que não tinha mais vinho rsrsrs.
MONTE RORAIMA 6 - 14-10-15

Diário de Bordo Monte Roraima 7º dia

7º dia – quinta 15/10/15 –  topo Hotel Guácharo – passeios

Este dia é o dia livre, para descansarmos e recuperarmos as energias para a volta. Mas com um monte de lugares lindos para visitar seria um desperdício passar o dia todo no acampamento. Por isso, a recomendação dos guias é de que fizéssemos um passeinho de meio dia, coisa pouca, 6 ou 7 km rsrsrs
Dentre os locais a visitar estavam: Ventana, Maverick, Catedral e Jacuzzis

La Ventana
É o mirante mais conhecido e mais incrível do tepui. Dele, você avista o Kukenan, montanha vizinha ao Roraima. Como tudo lá em cima é loteria, você tem que dar a sorte de o tempo estar aberto para ter uma visão legal da paisagem. Suas chances aumentam se for bem cedinho, em torno das 7 h-8 h. Se for tarde  ou der azar mesmo é possível que as nuvens estejam cobrindo o topo, de modo que não se consegue ver nadica de nada. Já haver nuvens na parte baixa, entre as duas montanhas, me pareceu uma vantagem, pois criou aquela sensação de estar no céu (no paraíso, num sonho).
Maverick
A Pedra Maverick – que assim foi apelidada pelo seu formato semelhante a este carro da década de 60/70 – é o ponto mais alto do tepui, chegando a 2.880 m. Uma subidinha de cerca de 15 minutos te leva ao seu topo, e a vista vale todo e qualquer esforço.
Catedral
Formação rochosa em um paredão, que dizem lembrar uma catedral. O legal deste lugar é uma cachoeira fechada em uma espécie de gruta, com pedras amareladas no solo e musgos nas paredes – parece um santuário, pena que não havia água na cachoeira, mas o local é lindíssimo.
Jacuzzis
Uma sequência de piscinas na pedra, de cor amarelo-dourado. Cristais são energizantes, e o fundo das jacuzzis é forrado deles.
Saímos do camping e vamos caminhando e conhecendo estas maravilhas da natureza, as pernas nem reclamam mais, pois os olhos se maravilham com cada ponto encontrado.

Café às 6:30 h e saída às 07:00 h
Nosso primeiro destino era a ventana, pois como já expliquei é imprescindível chegar cedo para garantir o belo visual. No meio do caminho Tensing e Gustavo nos explicou que como fomos bons meninos e nos comportamos bem, iríamos receber um bônus de passeio, eles nos levariam a um belo mirante onde poucos turistas têm a oportunidade de ir. Perguntados sobre o nome do mirante a resposta: “No hay nombre, no hay trilha”.
O percurso até o mirante, por si só já vale muito a pena os 5 km acrescidos em nossa caminhada. Chegando ao mirante, ficamos todos extasiados. Que lugar lindo! Vemos a ventana por cima. O imenso vale entre o Roraima e o Kukenán  estava repleto de nuvens, um enorme tapete branco. Após algum tempo lá e muitas fotos é hora de descer para ventana. No passamos por jardins floridos com orquídeas, bromélias e plantas carnívoras, temos aulas de botânica, passamos pela catedral e finalmente chegamos à Ventana.
Ficamos um tempão apreciando o imenso Kukenám à nossa frente, entra nuvem fecha tudo, sai a nuvem, fecha e abre o tempo, cliques e mais cliques, como que tentamos guardar estes momentos mágicos que possivelmente nunca mais iremos presenciar.
Os guias nos convidam a partir, seguimos sem vontade e logo chegamos às meninas dos meus olhos, as jacuzzis, piscinas que me levaram a marcar esta expedição ao Monte Roraima.
Em 2014 enquanto preparava a expedição à chapada Diamantina vi fotos das jacuzzis e disse ao Tita que adoraria conhecer. Daniela e Diego também compraram minha ideia e fechou, os malucos toparam fazer esta expedição neste ano de 2015.
Abrimos a data no Roraima Adventures após o Roberto topar vir com a gente, pois precisávamos de pelo menos 5 pessoas. Helio maluquinho de plantão topou na hora que Bob o convidou rsrsrsr.
Ah as jacuzzis, águas límpidas, rochas amarelas com fundo forrado de cristais, energização geral da galera! Ficamos um bom tempo e pena que o relógio não para, tivemos que voltar ao acampamento.
Na volta ainda passamos pelo campo de golf, área plana toda forrada de areia, é neste local que descem helicópteros quando necessário.
Soubemos que em épocas como carnaval, ano novo e grandes feriados esta área fica lotada de barracas. Nestas épocas o Roraima Adventures sobe com 03 grupos de 15 pessoas e todas as outras agencias idem.
Para finalizar nosso passeio matinal, Tensing nos convidou a subir o Maverik. 15 minutos subindo e atingimos o ponto mais alto do monte. O visual é maravilhoso! Todo vale da Gran Sabana a nossa frente. Dava pra ver até a igrejinha que passamos no segundo dia de caminhada, o que nos fez lembrar da empreitada do dia seguinte já que caminharíamos até depois dela.

Que dia esplêndido!!!!!

Voltamos ao camping e o almoço nos esperava. Durante o almoço mais um presente, mais um bônus, o guia Tensing tinha muitas surpresas na manga rsrsrsrs.
Para quem quisesse conhecer, havia uma caverna bem próximo ao camping e às 16h00min h sairíamos para conhecê-la, é óbvio que todos toparam.
Almoço, soninho, chá da tarde e saímos.
A caverna é bem perto, logo na entrada tivemos que ligar as lanternas de cabeça, passamos por um corredor bem estreito e baixo, andamos agachados, chegamos num salão com água caindo fazendo um barulhinho maravilhoso. Desligamos as lanternas e ficamos só ouvindo “o nada sem ver absolutamente nada” momento reflexão.
Ligamos as lanternas e seguimos mais um trecho com mais dificuldade e novamente chegamos a outro salão. Local divino, sem luz, sem ruído, sem vida aparente, cantinhos de Tensing rsrsr.
Voltamos e seguimos para o Mirante Guácharo, o sol acabara de se por, o céu ainda vermelho nos mostrava a imensidão da montanha. A igrejinha que passamos 05 dias antes, com bastante esforço conseguíamos avista-la, logo estaríamos novamente passando por ela e agradecendo cada minuto desta viagem.
Tensing, Fátima e Gustavo nos trazem chocolate quente.
Muitas fotos, piadas, risadas e voltamos ao camping pro jantar e dormir, afinal amanhã começaria nossa volta.
Como esta equipe é cativante, dos guias aos carregadores todos muito atenciosos. Kiavic, um carregador deveria ter voltado no dia anterior, mas pediu pra ficar e ajudar em troca do alimento. Não o vi parado um minuto, na trilha sempre com sorriso e palavra amiga, no Camping sempre ajudando na cozinha, fazendo pão, arepa e servindo os pratos, tem pessoas que nos cativam e ficam eternas em nossas recordações.
Helio estava bem das dores no pé, Dani também se recuperou da dor no braço, Zé começou a sentir dor na canela, Arno teve algumas cólicas, mas não se descuidou e tomava água o tempo todo, que grupo bacana conseguimos, todos muito unidos e divertidos rsrsrs.

Jantar e soninho, afinal o dia seguinte prometia.


MONTE RORAIMA 7 - 15-10-15

Diário de Bordo Monte Roraima 8º dia

8º dia – sexta 16/10/15 –  topo Hotel Guácharo x Rio Tek

1,5 km no topo + 5,0 km pra descer + 12,0 km da Base ao Tek

Acordamos às 5:00 h saímos às 6:30 h. Fátima colocou novamente o doce de leite na mesa, ai que meda kkkkk, toda vez que Fátima servia doce de leite o baguio era punk kkkkk.
Primeiros 1,5 km tranquilos, descemos a rampa e nada de água na cachoeira das lágrimas. O tempo foi nosso amigo e não choveu forte no topo.
A descida estoura os músculos da perna, mas pra mim foi mais fácil descer do que subir, achei mais confortável, se é que posso usar este termo kkkkk.
Deixei Tita cuidando só da Dani, achei que duas dariam muito trabalho a ele rsrsrsr e desci na frente com Helio. Poupando as pernas e sentando nas pedras em qualquer obstáculo mais agressivo.
De tempos em tempos juntava toda a galera que parava para descansar. Fui apostando horário de chegada com Helio, ele achava que estava sempre longe e eu achando que estava perto rsrsrs, ganhei, chegamos às 10:00 h no Base. Parei no riacho pra deixar as pernas de molho na água congelante enquanto esperava a Dani e Tita chegarem.
Enquanto esperava fiquei papeando “só pra variar” rsrsrs com um americano que mora em Caracas. Ele e mais 03 professores estavam no Monte junto com uma senhora americana de 76 anos que contratou um guia pessoal para acompanha-la. Desde a subida que cruzamos com ela na trilha, linda, forte, ofegante rsrsrsrs, mas firme em sua vontade. O americano me contou que todo ano ela faz um trecking, já esteve no Atacama e Ushuaya, quando ninguém da família pode acompanha-la, vai só e contrata um guia pessoal.
Quero ser assim quando crescer!!!!
Tita e Dani chegaram, os deixei de molho na água gelada e segui para arrumar as malas com minha carregadora Mariana.
O almoço estava servido, uma bela salada de legumes e atum, leve e rica pra nos dar sustança e aguentar a segunda etapa.
Ajeitei as malas e liberei Mariana que seguiu à frente.
Tita e Dani chegaram, todos almoçamos e seguimos nossa empreitada rsrsrsrs
Esta segunda parte foi nosso segundo dia de ida, o mais puxado da viagem, mas como era descida pra mim foi mais sossegado. A Dani e o Tita acharam mais puxado que a subida, ainda mais que os joelhos deles começaram a reclamar.
Seguimos os três juntos e a guia Fátima nos pastoreando rsrsrsrs
Hora estávamos com Bob, hora com André e Zé, hora com Carlos, o pelotão de ponta disparou na frente e os perdemos de vista.
O tempo novamente ajudou e não tínhamos sol escaldante. Arno havia encomendado sol no trecho de mata e nublado neste trecho aberto, até que funcionou rsrsrs.
No caminho meu coração vai apertando, vários carregadores passam por nós com calçados inapropriados para este percurso, um índio senhor de meia idade com sua carga nas costas estava calçando uma galocha de borracha toda rasgada, outro de croc’s com meias que não tinham mais calcanhar, uma  senhorinha com sua cesta pesada nas costas sentada nas pedras recuperando as forças pra terminar. Magrinhos, sem brilho nos olhos e fazendo o único trabalho que há pra conseguir algum Bolivar para alimentar a si e sua família.
Terrível ter que dar sua carga para alguém levar e eles ainda agradecerem por ter este tipo de trabalho, quem me conhece sabe o quanto sofri, certeza que estou pensando em algo para amenizar o sofrimento e tentar ajudar esta situação.
Os cãezinhos também são de cortar o coração, magérrimos, alguns cheios de caroços, outros com tumores e todos famintos!
Anda, cansa, para, descansa, anda ....
Assim foi e chegando ao Rio Kukenán encontramos toda a galera se banhando, todos no bem bom se divertindo.
Eu, Tita, Dani e Fátima, paramos, nos refrescamos, comemos uns beliscos e seguimos deixando a galera no refresco. Tensing nos disse para ficar, mas ainda faltava 1 km pra chegar ao camping do Rio Tek, resolvemos seguir e assim fizemos.
Chegando ao Rio Tek disse ao Tita que já ficaria para o banho. Tita disse que ia subir e tentar achar cerveja, diz a lenda que ali tem a melhor cerveja quente do mundo kkkkk
Fiquei esperando o Bob chegar, pois ele estava trazendo minha papete na mochila dele, não coube na minha, fiquei com pena da Mariana e trouxe mais coisas que cabiam em minha mochila.
Bob, Carlos e Arno chegaram às margens do rio. Tensing pegou a mochila de Bob e enquanto o auxiliava na travessia do rio, Carlos resolveu passar sozinho, quase chegando à margem final, justamente onde Dani caiu na ida, Carlos tomou maior rola e caiu com mochila e câmera dentro da água, Tensing correu e salvou a câmera, eu corri e peguei a câmera pra secar, kkkkkkkkk coitado do Carlos, todos preocupados com a câmera kkkkkk
No final todos bem e a câmera salva rrrsrsrsrs
Eu e Dani fomos tomar banho e Tita chegou com a melhor cerveja quente do mundo kkkkkk, nosso banho de água gelada foi maravilhoso.
Subimos ao camping, ajeitamos a carga, jantarzinho delicioso e cama, última noite de camping da viagem.

Ronco da barraca ao lado, que ronco????? Kkkkkkkkkkkkkk



MONTE RORAIMA 8 - 16-10-15

Diário de Bordo Monte Roraima 9º dia



9º dia – sabado 17/10/15 –  Rio Tek x Paraitepui

Café às 4:30 h e saída às 05:00 h

Corpo cansado e este trecho sempre tem muito sol, os guias nos colocaram na trilha às 05 de La matina pra não nos verem morrendo no caminho kkkkkkk (lembram do casal chegando morrendo lá no início da história? Kkkk).
Aos trancos e barrancos seguimos a trilha, últimos km da viagem, seguimos com Fátima e Gustavo, Tensing e carregadores ficaram para fazer o levantamento de utensílios da viagem, pois ao chegar a Paraitepui tudo tem que estar listado e conferido.
Vamos caminhando e não acreditando que já esta no fim, sete dias de caminhada, 100 km percorridos e estamos VIVOS kkkkk amém!
Às 9:30 h vamos chegando, toda a galera já chegou, Bob nos aguarda pra cruzarmos a fita juntos rsrsrs, Fátima nos trouxe cervejas para brindar,Tensing filmou nossa chegada à comunidade. Eu, Tita, Dani e Bob de braços dados finalizamos esta super, mega, blaster expedição.
Foi tudo perfeito, agência, guias, amigos, carregadores, clima, percurso, alimentação, enfim, se faltou algo nem percebemos. Sobrou amizade e companheirismo.
Na comunidade, pagamos e agradecemos nossos guias e carregadores, deixamos botas, blusas, camisetas, travesseiros, alimentos e remédios, fizemos uma vaquinha para rateio aos guias e carregadores.
O Bob nos confeccionou camisetas da expedição e fez o maior sucesso, todos queriam, deixamos as nossas de manga longa para os guias e encomendamos 15 de manga curta para presentear os carregadores, foi a maior festa ao distribuirmos. Queria ter para distribuir aos colegas, mas como são todos de Sampa iremos confeccionar e numa próxima reunião estaremos todos uniformizados. Rsrsrs
Fotos, beijos, abraços, despedidas e agradecimentos, assim terminou nossa expedição ao Gigante azul esverdeado, o grande Tepui Roraima.
As Toyotas Land Cruizer vieram nos pegar, adivinha se não pedi uma ao Tita kkk, nos levaram até Santa Elena de Uairén, deixando todo nosso lixo da viagem em caçambas próprias para este fim no caminho.
Em Santa Elena pegamos as Vans que nos trouxeram até Boa Vista.
Banho, descanso e saímos à noite para festejar, jantar no Recanto da Peixada.
Encerramos a noite e a viagem ao lado de pessoas que marcaram nossas vidas para sempre.
Domingo às 12:30 h partiu o voo de maior parte do grupo, nós, Bob e Helio ainda aproveitamos e visitamos um Igarapé. Vida boa, cervas e beliscos. À noite uma pitiça pra lembrar de Sampa e na segunda voltamos pra Sampa.
Não imaginava que meu desejo da jacuzzi fosse ser tão bacana.
Bora começar a pensar na próxima roubada hehehehe.
Ah em breve vou avisar como iremos ajudar aquele povo sofrido, com nosso pouco faremos diferença na vida de alguém que precisa de muito.
Tenho que registrar o profissionalismo e companheirismo de nossos guias.

MárciaColevati
De 40 em 40 conquistamos o gigante verde azulado Monte Roraima.
MONTE RORAIMA 9 - 17-10-15


1 – Paraitepuy : Aldeia Pemon e ponto de partida para o trekking do Monte Roraima.
2 – Tok Camping
3 – Kukenan Camping: Acampamento no Rio Tek (primeiro dia de acampamento)
4 – Base militar
5 – Acampamento Base (segundo dia de acampamento)
6 – A rampa: subida final ao cume do Roraima
7 – Cachoeira da travessia: cachoeira sazonal na rota para o cume
8 – O carro : Uma das muitas formações rochosas incomuns do Monte Roraima
9 – Os acampamentos: cavernas formadas por rochas salientes, usados ​​como locais de acampamento.
(HP) Principal | (HU) Uno | (HI) Índio | (HB) Basílio | (HF) S. Francisco | (HG) Guácharo | (HJ) Jacuzzi | (HS) Sucre | (HC) Coatí (Brasil)
10 – La ventana: Uma das paisagens mais incríveis no topo do Monte Roraima
11- Vista para o Tepuí Kukenán
12 – Jacuzzis : Pequenas piscinas de água cristalina, cheio de cristais de quartzo
13 – Caverna Guacharo: Grande fenda na falésia
14 – Vale dos Cristais: Um vale cheio de cristal de quartzo
15 – O Ponto Triplo marca a tríplice fronteira da Venezuela, Brasil e Guiana
16 – El Fosso: Um grande buraco – uma bela piscina natural com galerias subterrâneas
17 – Lago Gladys : Lago do lado da Guiana, nomeado pelo livro ” O Mundo Perdido “, de Arthur Conan Doyle
18 – A Proa : Ponto mais ao norte do cume, formando uma parede de rocha saliente de mais de 400 metros